Questionamentos sobre "o que queremos dizer, mostrar com o Teatro e com A Vida é Sonho".
Karina: leu um conto que escreveu há alguns anos:
"Olhos
Ela abriu os olhos e percebeu que, assim que a imensidão branca diminuía, ela conseguia ver o mundo numa beleza jamais realizada por ela. Antes, ela não enxergava e a imagem que tinha do mundo era algo distorcido em relação a essa nova vista. Então ela preferiu fechar os olhos de novo, e com as mãos os precionava com muita força, com medo de que pudesse abrí-los novamente. Não queria que a beleza da realidade levasse ao esquecimento a visão que ela criara..."
A dualidade Realidade X Sonho, e a compreensão do que é realidade senão uma interpretação? um sonho que acreditamos? onde está o limite do que realmente é factível e do que é fruto de anseios e desejos?
Segismundo preso na Torre, aquilo é realidade? Nossos conceitos de vida não se baseiam naquilo que conhecemos e que nos contam como sendo verdade? mas e o que desconhecemos?
Estes questionamentos são a faísca inicial das minhas preocupações que o texto A Vida é Sonho me propicia. O que quero dizer com o Teatro vai de encontro com as minhas preocupações com os conceitos verdade, veracidade, fato, interpretações. Na minha tendência historiadora, não existe uma verdade, mas sim, verdades, no plural,pois tudo não passa de interpretações de um real que não são objetos de estudo isoláveis, dependem de toda a gama de conhecimentos, sentimentos tanto de quem as nomeia como verdade, de quem presenciou e de quem analisa. Um fato em si não significa nada, mas é o estudo dele (de como, por que, etc) que trás substância à realidade. Mas nunca vemos a realidade em sua completude. É só pensar no término de um namoro ou numa partida de futebol.
A sua visão dos motivos do fim do relacionamento serão divergentes das do outro cônjuge, e quantas e quantas discussões me mesas de bar existem para argumentar a favor da existência de um pênalti numa partida de futebol? Mesmo com a imagem televisiva, quantos conseguem chegar num consenso? Se conseguissem, não existiriam tantos programas esportivos na hora do almoço ou aos domingos. O que quero dizer com isso resume-se no Paradoxo da Ninfa. Ao ver uma bela ninfa banhando-se num lago no meio de um bosque, temos uma visão e, ao mudar de lugar para vê-la em sua totalidade, mudamos o ângulo e a imagem não é mais a mesma, nunca poderemos vê-la por inteiro. Assim é a vida. Toda vida é um sonho, é aquilo que queremos acreditar que ela seja, "Mas os sonhos, sonhos são." Não sei se escapei do assunto, mas perceber a fragilidade do sonho X realidade tão explicito no texto de La Barca, e a prudência ao agir, pois, e se tudo não se passar de um sonho?, são questões para as quais eu não tenho respostas e que me instigam a pensar, refletir e criar.
Explicação do Adriano sobre as 10 etapas do Pentagrama.
Por Karina Zichelle