Sueño

SUEÑO

Blog do processo de montagem Sueño a partir da obra A Vida é Sonho, de Calderón de La Barca, pesquisada pela Malta Teatral Camaleão Boca de Dragão

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

30 de outubro de 2010

Treinamento: Jardim do Rei.

Exercícios de narração/contação de A Vida é Sonho:
Contar a fábula da peça em 20 linhas (manuscritas).
Versão de Karina:
"Desde o berço, Segismundo foi trancafiado numa torre, alheio ao mundo, por seu pai, o rei Basílio, na tentativa de impedir um mal presságio que apontava Segismundo como um governante tirano e cruel. O rei vergado pelos anos e, corroído pela dúvida, decide testar seu filho, trazendo-o para o palácio enquanto dormia, e, quando desperto, conta-lhe a verdade. Em seu primeiro dia, Segismundo é injusto e impiedoso, matando por simples capricho. Então ele é mandado de volta à prisão, onde contam-lhe que tudo fora somente um sonho, a fim de que isso lhe servisse de consolo. O povo liberta Segismundo, pois o tem como o seu governante legítimo, e trava-se uma luta entre pai e filho. Basílio, caído aos pés de Segismundo, tem sua vida polpada por ele, que então se mostra sábio e digno de governar, pois à incerteza de estar sonhando, aconselha-se a prudência. Segismundo supera a si mesmo, ao desistir de seu amor por Rosaura, uma jovem que veio vingar sua hora, para que ela se case com Astolfo, seu primo, que lhe deve tais obrigações."

Contar a fábula da peça na narrativa oral em 2 minutos.

Trabalhando cenas:

Rafa: continuação da Cena III - Segismundo
Karina: primeira etapa do pentagrama com as cenas I e II. Descobrir maneiras de fazê-la sozinha. Como agregar o Clarim?
Rubricas - Narração.
Falas de Rosaura. Clarim: corrente. (Não funcionou)

Para próximo ensaio, continuar com essas cenas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Despedidas

Teka e Laura...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

01 de outubro de 2010

Presente Karina. Discussão com Adriano sobre a pesquisa da recepção. Referências bibliográficas.

29 de setembro de 2010

Etapa de Treinamento:
Aquecimento e alongamento livre.
Jardim do Rei. Karina ainda na fase do equilibro.

Teka e Karina discutiram as razões de ser do texto A Vida é Sonho. Sobre o que ele fala?
Binômios: Ilusão/desilusão; realidade/sonho.
Qual realidade? O que chamamos por real? A realidade talvez seja aquilo que acreditamos que ela seja. O que chamamos de real na verdade é uma interpretação deste mesmo "real". Um mesmo fato, acontecimento, visto sobre duas pessoas é interpretado de maneira distinta por elas. Exemplo clássico disso, uma partida de futebol. Peguemos um lance de pênalti, quanto não ´discutido sobre um lance polêmico onde existe uma imagem do acontecimento e mesmo assim nunca conseguimos chegar num consenso de foi ou não pênalti. Se assim o fosse muitos programas televisivos perderiam sua razão de ser.
Assim, a realidade não se torna uma visão iludida das coisas? "Só a ilusão trás a desilusão". Todos os personagens de A Vida é Sonho são iludidos e desiludidos.
O ser prudente é um dos pontos chaves do texto.

Por Karina Zichelle

24 de setembro de 2010

Após seguir a sugestão da Teka de manter no primeiro ato da peça a mesma relação de ator-personagem nas cenas, refizemos o trabalho com a cena IV, com a seguinte configuração:
Rafa: Segismundo;
Karina: Clarim;
Laura: Rosaura;
Teka: Clotaldo.

  1. Leitura da cena
  2. Exercício do texto que consiste em justificar a fala de cada personagem.
  3. Improvisação da cena.
O Rafa continuou a trabalhar a quinta etapa da Cena III (solilóquio de Segismundo), enquanto as três meninas continuaram o trabalho iniciado no último ensaio da Cena VI:
Karina: Clarim
Teka: CLotaldo
Laura: Rosaura.
  • Improvisação da cena.
Fim do ensaio.

Por Karina Zichelle

terça-feira, 21 de setembro de 2010

17 de setembro de 2010

Leitura da cena IV e V da Primeira Jornada.
Cena IV : Rosaura - Karina, Segismundo - Teka, Clarin - Laura, CLotaldo - Rafa.
Cena V : Rubricas - Karina, Segismundo - Teka, Clarin- Laura, Cltaldo - Rafa.
Exercício de texto. Ler cada fala do seu respectivo personagem, explicando o porquê de cada uma delas. O que aconteceu para cada personagem agir de determinada maneira.

Cena IV, sob o prisma da Rosaura:
"Tenho pena... e tenho medo..." : após ouvir o solilóquio do Segismundo, Rosaura sente uma identificação com toda aquela revolta, cólera e sofrimento, ao mesmo tempo que sente medo dele por ser desconhecido.
"Um triste apenas... que conheceu tuas queixas..." : Astuta, soube desviar a resposta para uma genérica (se me permitem a analogia, mesma astúcia de Ulisses ao dizer ao ciclope Polifemo que se chamava "Ninguém") , que ainda assim não deixa de ser verdadeira. Preservou sua identidade, mas revelou compaixão, pelo uso do "um triste", como sujeito do frase.
"Se és, homem, bastará que me ajoelhe, para que em veja livre." : Mais uma vez, demonstrando suas esperteza, argumentando que se ele é homem, ou seja, se ele possui hnradez, se tem uma alma nobre, bastará que ela humildemente se ajoelhe para que, de acordo com as leis de honra, de cavalheirismo, ele possa "perdoá-la".
"Com tanto assombro de ver-te, com espanto de te ouvir, não sei que possa dizer-te nem o que te perguntar. Eu sou..." : após a revelação de encanto que Segismundo demonstra por Rosaura, ao mesmo tempo que ela sente-se assustada por ele, ela também sente-se espantada, curiosa, atraída, e não sabe o que mais dizer, quando é interrompida pela voz de Clotaldo.
"Que mais perigos me esperam?" : depois da árdua viagem que vem travando, por todos os obstáculos já percorridos, ver-se agora sob a ameaça dos guardas, que mais desventuras o destino lhe prepara?

Por Karina

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CEPECA - 16 de setembro de 2010

Apresentação da cena II na 4ª Etapa do Pentagrama por Karina e Laura e da cena III na 4ª e 5ª Etapas (sendo a quinta o deslocamento da perspectiva - cena deitado) pelo Rafa.

15 de setembro de 2010

Roda inicial.
Aquecimento. Acrobacias.

Cenas II e III
Karina e Laura ainda trabalhando a 4ª Etapa da cena II (houve avanços na partitura corporal e nas intenções das falas).

Teka trabalhando a 3ª Etapa (Protocena). Apresentou duas versões de início da cena III (Segismundo) uma andando e outra parada na parede. Criação de símbolos (pássaro, coração, liberdade).

Rafa trabalhando a 4ª e 5ª Etapas. Cena deitado (5ª Etapa). Discussões posteriores sobre como conciliar o corpo e o texto dramático (A vida é sonho, da tradução da Renata Pallotini) e maneira orgânica.

Cada grupo de cena ensaiou várias vezes e depois apresentou para os outros integrantes, havendo uma breve discussão sobre as impressões e os encaminhamentos (sugestões) para cada cena.


Por Karina Zichelle

domingo, 12 de setembro de 2010

10 de setembro de 2010

Treinamento: Jardim do Rei

Encaminhamentos da cena III:
Teka - Exercícios com o texto:
  • Sim e Não. Toda fala ascendente, de concordância ou de caráter positivo diz-se SIM com a voz aguda; toda fala decrescente, discordante ou de caráter de negação diz-se NÂO, com a voz grave;
  • Ponto e linha.
Rafa - Quarto momento: estados psicofísicos.
Quinto momento: Distorções do espaço e tempo. (Começado a trabalhar e tarefas para o próximo ensaio)
Cena como se estivesse num estádio enorme (ampliação do espaço)
Cena no canto da parede (redução do espaço)
Mudança de perspectiva, fazer a cena como se o chão estivesse na parede (vertical), sob o olhar de cima, Deus.
Ralentar as ações e acelerá-las.
Encaminhamentos Cena II:
Karina - Exercício SIM e NÂO (voz aguda e voz grave)
- SIM (?) ("Céus! Que ouço?")
- NÂO ("Correntes? Deve ser um calabouço!")
- NÃO ("A mim me dá pavor!")
- SIM ("Senhora...")
- NÃO ("Ânimo para fugir me falta.")
Quarto momento: estados psicofísicos de Clarim. Memória emotiva. "Evocação" de cansaço, medo.

Para próximo ensaio:
Rafa: Quinto momento.
Karina e Laura: Quarto momento. Elaboração da cena propriamente dita, estado pós protocena.
Teka: improvisação da cena III.

Para a cena da contação: Definição do material - aquarela

CEPECA na próxima quinta: serão apresentadas as cenas II e III (Rafa).


Por Karina Zichelle

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

04 de setembro de 2010

Relato do ensaio, com exemplos dos exercícios feitos pela atriz Karina.

Treinamento:
Jardim do Rei.

Sueño:

Resgate do Texto e da improvisação da Cena II (Laura e Karina) e Cena III (Rafa).
Análise ativa: objetivos e ações.
O que quero dizer com o texto.
Colagem. Busca pela palavra.
Roteiro de ações.

Início do Quarto momento da Cena II, Estados psicofísicos e memória emotiva
Clarim:
Unidades de cena:
I - descansar(desceram o monte pedregoso, ofegantes., perdidos, sentam, apoiam-se para dormir)
II - despertar com o barulho (descobrir do que se trata - "Céus, que ouço?")
III - amedronta-se (descoberta do calabouço e voz de Segismundo)
IV - fugir (falta de ânimo para fugir - à idéia de Rosaura de que os dois fuajm dali o mais rápido possível, Clarim, desperta a memória de todo o trajeto por eles enfrentado até ali, e o fato de que a fuga implica em retomar o caminha de volta, atravessando os mesmos obstáculos (Monte pedregoso), fora o fato de estarem perdidos, o cansaço, a fome, o sono)
V - "Deter" Rosaura, acompanhá-la.


I - Cansaço
II - Apreensão
III - Medo
IV - Desânimo e lembrança do trabalho e do cansaço de toda a viagem
V -

Por Karina Zichelle

01 de setembro de 2010

  • Etapa de Treinamento:
Aquecimento. Alongamento. Treinamos Ponte.
Jardim do Rei.
Apresentação do jardim do rei de cada um para os outros. Primeiro Teka e Karina apresentaram para o Rafa e a Laura, e depois o contrário.

  • Sueño:

Formalização da cena II (Laura e Karina), e da cena III (Rafa).
Teka, estudando a cena III.

  • Início da discussão sobre o artigo "O Ator Nitente" de Adriano Cypriano, acerca dos Cinco Revestimentos hindus e dos Upanishas.

Por Karina Zichelle

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

27 de agosto de 2010

Treinamento: Jardim do Rei
Laura e Karina : princípio - equilibro

(Relato dos exercícios sob a ótica da Karina)

Divisão do texto A Vida é Sonho em cenas.

Leitura Cena II e Cena III

Cena II - Karina (Clarin) e Laura (Rosaura)
Cena III - Rafa (Segismundo)

Primeiro Momento:

Cena II
1º exercício: resumir o pensamento de cada personagem em uma palavra da fala do texto
Clarin:
Ouço
Correntes
Pavor
Senhora
Fugir (apesar que olhando agora, eu trocaria a palavra para ânimo)

2º exercício: Ponto e Linha.

3º exercício: Sim ou não. [quando a fala concorda (crescente) - sim; quando a fala discorda (decrescente) - não]

Clarin: Sim (?)
Rosaura:
Clarin: Não
Rosaura:
Clarin: Não
Rosaura:
Clarin: Sim
Rosaura:
Clarin: Não
Rosaura:

exercício: desdobramento do terceiro, a cada fala sim aproxima-se uma da outra, a cada fala não, dá-se um passo para lado.

Segundo Momento:
Análise ativa da cena. Selecionar os objetivos e as ações de cada personagem da cena e improvisar. Improvisação Realista.

Cena II Clarin:
objetivos: descansar/ esconder-se (fugir) / escutar
ações: ouve o barulho / paralisa-se de medo/ tentativa imóvel de fuga / esconde-se para ouvir mais

Atividades para próximo ensaio:
Formalizar as cenas improvisadas buscando uma Protocena. (Terceiro Momento)

Por Karina Zichelle

sábado, 21 de agosto de 2010

20 de agosto de 2010

Ensaio teórico.
Questionamentos sobre "o que queremos dizer, mostrar com o Teatro e com A Vida é Sonho".

Karina: leu um conto que escreveu há alguns anos:
"Olhos
Ela abriu os olhos e percebeu que, assim que a imensidão branca diminuía, ela conseguia ver o mundo numa beleza jamais realizada por ela. Antes, ela não enxergava e a imagem que tinha do mundo era algo distorcido em relação a essa nova vista. Então ela preferiu fechar os olhos de novo, e com as mãos os precionava com muita força, com medo de que pudesse abrí-los novamente. Não queria que a beleza da realidade levasse ao esquecimento a visão que ela criara..."

A dualidade Realidade X Sonho, e a compreensão do que é realidade senão uma interpretação? um sonho que acreditamos? onde está o limite do que realmente é factível e do que é fruto de anseios e desejos?
Segismundo preso na Torre, aquilo é realidade? Nossos conceitos de vida não se baseiam naquilo que conhecemos e que nos contam como sendo verdade? mas e o que desconhecemos?
Estes questionamentos são a faísca inicial das minhas preocupações que o texto A Vida é Sonho me propicia. O que quero dizer com o Teatro vai de encontro com as minhas preocupações com os conceitos verdade, veracidade, fato, interpretações. Na minha tendência historiadora, não existe uma verdade, mas sim, verdades, no plural,pois tudo não passa de interpretações de um real que não são objetos de estudo isoláveis, dependem de toda a gama de conhecimentos, sentimentos tanto de quem as nomeia como verdade, de quem presenciou e de quem analisa. Um fato em si não significa nada, mas é o estudo dele (de como, por que, etc) que trás substância à realidade. Mas nunca vemos a realidade em sua completude. É só pensar no término de um namoro ou numa partida de futebol.
A sua visão dos motivos do fim do relacionamento serão divergentes das do outro cônjuge, e quantas e quantas discussões me mesas de bar existem para argumentar a favor da existência de um pênalti numa partida de futebol? Mesmo com a imagem televisiva, quantos conseguem chegar num consenso? Se conseguissem, não existiriam tantos programas esportivos na hora do almoço ou aos domingos. O que quero dizer com isso resume-se no Paradoxo da Ninfa. Ao ver uma bela ninfa banhando-se num lago no meio de um bosque, temos uma visão e, ao mudar de lugar para vê-la em sua totalidade, mudamos o ângulo e a imagem não é mais a mesma, nunca poderemos vê-la por inteiro. Assim é a vida. Toda vida é um sonho, é aquilo que queremos acreditar que ela seja, "Mas os sonhos, sonhos são." Não sei se escapei do assunto, mas perceber a fragilidade do sonho X realidade tão explicito no texto de La Barca, e a prudência ao agir, pois, e se tudo não se passar de um sonho?, são questões para as quais eu não tenho respostas e que me instigam a pensar, refletir e criar.

Explicação do Adriano sobre as 10 etapas do Pentagrama.


Por Karina Zichelle

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

18 de agosto de 2010

Treinamento: Jardim do Rei
Commedia dell'Arte : Zanni

Discussão teórica: Artigo "O Ator Nitente" de Adriano Cypriano, publicado em CEPECA - Uma Oficina de PesquisAtores.

Teka, Rafa e Ka discutiram a primeira parte do artigo que trata sobre o ator Intérprete-Representante e o ator Nitente. Para a próxima quarta, srão discutidas as reflexões sobre as Metáforas Estruturadoras.

Por Karina Zichelle

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

De volta

11 de agosto de 2010

Voltamos a ensaiar efetivamente após o espaço de férias.
Neste ensaio compareceram Teka, Rafa e Karina, e o foco recaiu sobre o treinamento da Commedia Dell'Arte.
Após um alongamento livre, começamos a relembrar toda a movimentação do Zanni aprendida:
Pose básica; Troca de peso; Salto lateral, Andar em Três tempos, Grande Zanni, Inversão, Dois tempos,Zanni Vanitas, Friso, e Zanni dormindo.

Fizemos um esquema de andar em triângulo, para que as duas pessoas de trás seguissem o ritmo do andar do da frente, e íamos revezando a ponta do triângulo, assim todos experimentavam o rimo de todos.

Em seguida, ainda sob o aspecto do treino da movimentação, inserimos alguns comandos de situações para unir corpo e voz. Os comandos foram:
  • Dois Tempos com um grito de fuga/medo;
  • Zanni Vanitas chorando;
  • Três Tempos cantando/cantarolando;
  • Grande Zanni - roubar o cobertor de um cão bravo que está dormindo;
  • Três Tempos, Salto lateral e Friso - Achar algo no meio do caminho (Teka -Avião?, Karina - "rádio", Rafa - sabonete/banho);
Depois, fizemos algumas improvisações em duplas, como Zanni's, cujo tema era proposto pelo outro participante que assistia:
  • Rafa e Ka: tema: O bico da mamadeira está furado;
  • Ka e Teka: tema: Quero vender minha bicicleta;
  • Teka e Rafa: Esse sapato me deu chulé.


Por Karina.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Férias

Em agosto retomamos nossos ensaios, afinal todo mundo acaba precisando de um tempo de descanso.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

14 de julho de 2010

Reunião de Produção

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Liberdade e aprisionamento

Tomando por base o solilóquio de Segismundo logo no ínicio da Primeira Jornada, nos foi pedido que escrevessemos um texto sobre Liberdade que seria usado numa cena que representasse um estranhamento recente. Segue o texto desenvolvio pela Karina:

Liberdade

Quando menina, acreditava que ao final de toda palavra “liberdade” havia um ponto final. Liberdade existe e ponto. Liberdade para brincar, para comer um doce, para sonhar. A liberdade que me abraçava era sublime e possível, vivemos num mundo livre.
Quando adolescente, instigada pelo espírito rebelde próprio esses anos, decidi que ao final de toda palavra “liberdade” viria um ponto de exclamação! Porque liberdade é uma palavra carregada de luta, de sangue! E protesto! Liberdade política, liberdade de expressão! E lutar por aquilo que acreditamos! Viva!
Com os anos que se passaram, não muitos, diga-se a verdade, as inquietudes da vida e as angústias questionadoras abalaram todas as minhas crenças e certezas. E achei prudente mudar a pontuação e colocar ao final de toda palavra “liberdade” um ponto de interrogação. Afinal, o que é ser livre? É escolher pelos seus próprios meios? Valores? É não ter a moral estuprada por essa sociedade decadente e selvagem? É ser racional? Sempre escolher?
Por mais que ainda acredite que não haja uma resposta que defina liberdade, tenho certeza de que novamente me equivoquei com a pontuação. Ao final de toda palavra “liberdade” não vem um ponto final, nem uma exclamação, tampouco uma interrogação. “Liberdade” para ser livre deve ser acompanhada por reticências... Porque impossível e ser definida, ela é sentida, querida, um norte a se seguir... um destino ainda por vir... o fim que todo homem anseia desde seu surgimento... porque ser livre é não ter fronteiras... é transcender à eternidade... e compreender-se pelas entrelinhas...


Por Karina Zichelle

segunda-feira, 5 de julho de 2010

02 de julho de 2010

Não tivemos ensaio...

domingo, 4 de julho de 2010

30 de junho de 2010

Início: 20:10h


Presentes: Adriano, Laura, Teka, Karina, Natalia e Rafa
Ausentes: Gabi, Ricardo


Iniciamos com aquecimento\alongamento individual de 10 min, fizemos o círculo
“Senhor despertai-me e daí-me conhecimento”.

Partimos para o Jardim do Rei por 20 min. Segue em que etapa cada integrante está neste treinamento.

Gabi – Construção de imagens/movimentos;
Karina – Repetição de movimentos;
Laura – Repetição de movimentos;
Natalia – Repetição de movimentos;
Rafa – Oposições;
Ricardo – Construção de imgens/movimentos;
Teka – Oposições

Após o Jardim do Rei, Adriano comentou que começaríamos também a treinar voz, que é um assunto recorrente em nossos encontros teóricos que precisamos treiná-la para maior expressividade.


Acabamos não fazendo o treinamento vocal, nós o protelamos para iniciar no próximo ensaio, devido alguns outros exercícios que tínhamos para apresentar.


Exercício: Estranhamento + Liberdade
1) Escolher uma situação recente que você tenha vivido e tenha lhe causado algum tipo de estranhamento.



2) Escrever um texto sobre liberdade\aprisionamento.

Adriano pediu este exercício a cerca de 3 semanas. Hoje, Teka, Laura e Karina leram seus textos sobre liberdade. Eu ainda não fiz o meu, mas logo farei.

Depois, contamos o caso de estranhamento:

Laura – O que lhe causa estranhamento é a dependência de
uma pessoa por cocaína.

Teka Um homem que masturbava-se na porta do colégio dentro de um carro, chamaram a polícia. O homem era pai de uma aluna de 8 anos do colégio. Chamaram a mãe da menina, que disse não ter problema nenhum. Foram embora juntos, mãe, pai e filha do colégio.

Rafael – Um senhor de idade pedindo dinheiro no farol, bem apresentado, com uma face dura, parecendo “pedra”, andava sem mover quase nada do corpo, com os braços estendidos na frente do corpo segurando um chapéu. Parecia que carregava o peso da vida.

Após a “contação”, partimos para a improvisação.


Adriano orientou que a Laura dirigisse o grupo e improvisasse o estranhamento de drogas junto com o texto que ela havia escrito.

Improvisação – Cocaína

Todos, ocupando uma posição “aleatória” no espaço, procurávamos por drogas,
chegamos até a empurrar e a mexer nas coisas da Milena (que assistia nosso ensaio). Objetivo: interagir com a platéia.

Após isso cada um no seu desespero falava fragmentos do texto da Laura.
Como “liberdade”, “aqui”, entre outros.

Nesse momento eu (Rafa) tornava-me o usuário que estava indo na “boca”
comprar cocaína, a Laura e Teka eram “olheiros”, a Nati o traficante.

Após, na cena, eu comprar cocaína, simulávamos cheirar cada um no seu
canto.

Eu dizia: “ Você pode pensar que isto tem algo com política...”

A Laura cantava de fundo: “Liberdade, liberdade abre as asas sobre
nós.”

Tentamos essa improvisação de outra forma, mas o Adriano pediu para a Laura encontrar outro estranhamento, pois este apesar de funcionar, passou uma mensagem fascista.

Cena: Primeira Jornada
Em coro, repetimos a cena PRIMEIRA JORNADA.

Fim: 22:40h



por Rafa Bermudes

sábado, 26 de junho de 2010

25 de Junho de 2010

Primeiramente: rotina de ensaio (alongamento individual; RigVeda; passeio ao "Jardim do Rei")



Exercício de Butoh: "Gaivota": Ter a imagem em mente de uma gaivota que cai num mar, onde acabou de ocorrer um derramamento de petróleo. Esta tenta com todas as suas forças nadar até a praia. Ela vai morrer, seus olhos já estão mortos. Os atores, ao buscar essa imagem posicionam-se da seguinte maneira: os pés se cruzam e ficam em meia ponta; os braços se cruzam na frente do peito e somente o dedo médio toca os ombros; o olhar é sem foco, morto; as pálpebras piscam com o ritmo de asas de borboletas; a cabeça tomba para a esquerda.

No final do exercício virá o grito de desespero da gaivota.



obs: NOTA-SE A DIFICULDADE FÍSICA E EMOCIONAL QUE HÁ NESSE EXERCÍCIO!



Apresentamos (Rafa, Laura, Karina) a mesma cena do ensaio passado, porém buscando a sensação que nos remeteu o exercício da Gaivota. A Teka criou a sua cena.



Após, improvisamos a primeira cena da peça. Laura e Rafa; Teka e Karina.



Por Laura Salvatore

quinta-feira, 24 de junho de 2010

23 de Junho de 2010

Primeiramente fizemos um alongamento individual.

Depois o ritual "Despertai-me, senhor, e dai-me conhecimento."

Aproximadamente uns 20 minutos de passeio ao "Jardim do Rei" trabalhando os seguintes princípios:
  • equilíbrio;
  • oposição;
  • repetição de movimentos.

Assim que terminamos o "passeio", passamos a coreografia da PRIMEIRA JORNADA.

Nesse dia, tivémos um convidado especial: Ariel Moshe. A Karina e o Rafa apresentaram a contação intimista da primeira cena da peça a ele, que nos disse suas impressões. Então, o que tiramos de proveitoso foram:

  1. para contar uma histótia bem perto do espectador devemos ficar atentos aos respectivos aromas. Eles podem tanto nos ajudar como prejudicar. Se a intenção é seduzir o espectador e faze-lo "viajar" na história, o dito bom cheiro deve ser intencional (hálito, perfume, etc);
  2. a história precisa ter pausas para que o espectador assimile e sedimente as imagens;
  3. nós, atores, podemos explorar as entonações, ritmos e intensidades da voz;
  4. ficou sugerido como laboratório trabalhos como o do link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=0ztl5geWp8c

A Teka contou a primeira cena para a Laura. Elas concluiram que para facilitar o trabalho devemos separar o texto em ações. Além disso, os desenhos que a Teka faz no caderno podem ser mais explorados, por exemplo colocar cores neles.

Depois fizemos o exercício da "Gaivota". Este será repetido. Observamos que todos tem muita dificuldade para concentrar-se na imagem da gaivota. Além de que precisamos enfrentar as dores corporais que vão surgindo no decorrer dessa atividade.

Para finalizar realizamos uma meditação ativa: "Vela" (nome que criei agora).

Por Laura Salvatore

domingo, 20 de junho de 2010

18 de junho de 2010

Primeiro ensaio que o novo membro da Malta, Ricardo Aciole aparece, na posição de observador, por enquanto.
O ensaio inicia-se com um aquecimento livre e o Jardim do Rei.
Depois, Commedia Dell'Arte: Zanni. E aprendemos mais um "saltinho" do Zanni, batendo as palmas dos pés e o Friso. E treinamos um pouco o andar do Três Tempos.
Terminado a etapa do Treinamento, e nos voltamos para A Vida é Sonho. O Adriano nos pediu um exercícios de uma improvisação realista (que ninguém acabou fazendo realista) tendo como mote o Lamento de Segismundo na Primeira Cena da Primeira Jornada ("Ai, mísero de mim, ai infeliz...), que versa sobre liberdade e aprisionamento.

O Rafa fez uma partitura corporal bastante complicada que exigia muita técnica e simbolizou o nascimento, o estranhamento com Deus, a ave, a fera, o peixe, ()

A Karina trabalhou com o aprisionamento do Eterno Retorno, repetindo uma partitura corporal ad infinito (a intenção era ad infinito, mas foram só quatro vezes, porque já deu, né).

A Laura fez uma cena mais próximo do Buto, passando simbolizando a ave, a fera e o peixe.

No próximo ensaio. faremos exercícios de Buto.

E para finalizar o ensaio, fizemos a cena em coro da Primeira Jornada. Decidimos que é necessário transformá-la em rotina em nossos ensaios.

Então, para o próximo ensaio temos além do exercício do Buto, a representação da cena de estranhamento com o texto de liberdade que nos foi pedido na última quarta-feira.

Por Karina Zichelle

sexta-feira, 18 de junho de 2010

16 de junho de 2010

Hoje, iníciamos nosso treinamento com o "Jardim do Rei", praticamos por aproximadamente 20 minutos. Feito isso, passamos para o momento de ensaio. Demos continuidade aos exercícios de Contação de Estória. O exercício proposto hoje foi: Contar uma cena, falando somente uma palavra por vez em alternância com o outro. Como:

1) nos dividimos em duplas

2) relemos a cena selecionada ( 2ª da primeira jornada)

3) começamos dizendo uma palavra (que poderia ser de qualquer classe gramatical), a outra pessoa da dupla também dizia uma palavra em seguida, sempre com a intenção de dar continuidade a descrição dos fatos que ocorrem na cena.

Ao final do exercício, discutimos nossas impressões.

Por Teka

Entra um sai outro

Bienvenue, Ricardo Aciole!!

Adieu, mon cher, Luiz...



terça-feira, 15 de junho de 2010

Lançamento do livro do CEPECA


Foto: Karina Zichelle

Sexta-feira, dia 11 de junho não houve ensaio.
Tivemos o lançamento do Livro CEPECA - Uma Oficina de PesquisAtores, na SP Escola de Teatro.
Num evento singelo, com um belo coquetel, presenças dos pesquisadores do CEPECA e dos ilustres autores dos artigos do livro, e claro, nosso mestre Adriano Cypriano.

Foto: Karina Zichelle

A Malta também acompanhou o evento, Karina, Rafa e o mais novo integrante da Cia, Ricardo Aciole estavam lá.
Garantimos nosso exemplar, com direito a belas dedicatórias...


Presenças de Adriano Cypriano, Armando Sérgio, Renata Mazzei, Débora Zamarioli, Rejane Arruda, Camila Scudeler, Laura Lucci, Edu de Paula, Cadu Witter, Evinha Sampaio, Renata Kamla, Suzana Alves e outros.

Confira as fotos no site da SP Escola de Teatro: http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/195.php

sábado, 12 de junho de 2010

09 de junho de 2010

Hoje nosso encontro começou às 20:40, pois a Malta Teatral CBD fez uma intervenção num evento no Macunaíma ("Homenagem Macunaíma Arte&Cultura"). O Adriano permaneceu neste evento e os integrantes da Malta CBD do projeto A Vida é Sonho foram ensaiar.

Já na sala de ensaio, eu (Rafael), Teka, Gabi e Karina presentes - a Laura não pode vir - iniciamos com alongamento, fizemos a roda “Despertai-me Senhor e dai-me conhecimento.” e partimos para o Jardim do Rei.

Fizemos esse treinamento, Jardim do Rei, cerca de 20min, depois decidimos ao invés de treinar Comédia dell’Arte, improvisar com as categorias que já havíamos aprendido.

Separamo-nos em duplas para desenvolver as cenas, a saber, Rafa/Gabi e Teka/Karina. Cada dupla indicou um tema para a outra dupla desenvolver a cena.

Rafa/Gabi deveriam fazer a cena: Não quero tomar sopa!

Teka/Karina deveriam fazer a cena: Entrar de penetra na festa da Cinderela


Cena: Não quero tomar sopa!

Fiz a cena com a Gabi, que assim como o Adriano, estudou com o Antônio Fava. Ela disse que existe a figura da rainha e os zannis, podem fazer o papel de guardiões. Daí surgiu nossa improvisação, cuidaríamos da sopa da rainha para que ninguém comesse e o jogo partiu daí, os dois queriam comer, mas não podiam e ainda não queriam revelar ao outro suas fraquezas. Assim, meu zanni enganou o zanni Gabi e colocou a sopa sobre a cabeça, acreditando que o outro não percebera e realmente não o percebera, mas ao irem embora, eu deixei o zanni da Gabi subir em minhas costas para procurar o culpado e esqueci que a sopa estava sobre minha cabeça, assim ela comeu toda a sopa e fui embora acreditando que a sopa estava sã e salva para eu comer depois. Utilizamos bastante expressão corporal, figuras compostas e acrobacias para compor a cena.


Cena: Entrar de penetra na festa da Cinderela

Teka e Karina fizeram Enamorada e Zanni respectivamente. Karina e Teka apegaram-se mais à técnica que eu e a Gabi, inclusive a Karina utilizou até o Friso, alguns saltos para exibir-se como zanni. Teka abusou das posturas exibicionistas da enamorada e fez uma enamorada quase tola de tantos suspiros, movimentos entrecortados, exagerados e àquelas perguntas, que não são necessárias fazê-las, pois a resposta é tão evidente e mesmo assim, a enamorada da Teka o fazia, foi engraçado.

Após isso eu e a Karina retomamos a contação da estória – Primeira Cena de A Vida é Sonho – utilizando desenho ou bonecos.
Apresentaremos isto no CEPECA em 10/06, acredito não estar apresentável, ainda estamos improvisando, mas o Adriano o quer assim, então vamos lá?!

Treinei um pouco e apresentei a elas, não tivemos tempo de comentar. A Karina não pode apresentar, pois não estava muito bem de saúde. O ensaio terminou 22:40.



Por Rafael Bermudes

terça-feira, 8 de junho de 2010

04 de junho de 2010

Primeiros minutos de alongamento livre.
Em seguida, a ritual em roda: "Despertai-me senhor e dai-me conhecimento" (sinto que cada vez mais isso tem modificado meu estado e o ensaio tem se tornado mais proveitoso).
Treinamento: Commedia dell'Arte. Aprendemos uma nova movimentação: Zanni Vanitas (Vaidoso). Praticamos também o Grande Zanni, e aprendemos mais um tipo de inversão - por dentro - , e praticamos a por fora também, com a saída em dois tempos.
Jardim do Rei. Encaminhamentos para as próximas semanas:
Karina: focar no movimento, na tentativa de repetição deles e não mais nas imagens em si.
Teka: Equilíbrio.
Rafa: Oposições.

Ensaio da "Primeira Jornada" e novas tentativas de sincronizar as partituras individuais. Tivemos uma boa evolução. Marcamos o movimento do "desce", e cada um apresentou individualmente a partitura para que os outros pudessem apontar as correções. O que foi de muito proveito, principalmente para mim, que como acostumei a ficar sempre atrás de alguém, meu tempo se tornou preguiçoso, apenas sincronizando quando vendo o movimento do outro, e na perda desse referencial, a perda da precisão dos movimentos e do sentido de orientação!! Encaminhamento, nos próximos ensaios da Primeira Jornada não ter ninguém a minha frente.

Exercício da contação da primeira cena (até a entrada de Clotaldo) de forma minimalista partindo de desenhos ou manipulação de pequenos bonecos para uma pessoa.
Teka: desenhos no papel.
Karina: desenhos na palma da mão.
Rafa: manipulação de peças de xadrez.

Quinta-feira, dia 10, temos CEPECA. Agora é ensaiar essa contação para apresentar lá.

por Karina Zichelle

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Impressões quanto à inculturação e aculturação

Em nosso fazer teatral no ocidente somos tentados a construir nossa própria técnica, talvez pela forma como somos educados ou nos ensinam a pensar, logo queremos alçar vôos sem conhecer a fundo a trajetória histórica de outros que já percorreram esse caminho.

Daí, sem a tradição do mestre - digo mestre na força arquetípica em que possui e é respeitado pelos povos do oriente e tantos outros da antiguidade - nós nos empenhamos mais que depressa numa caminhada erma pela técnica da inculturação.

Os poucos atores que entendem isso, entram numa estrada longa, erma e seca, onde precisam auto-descobrir-se (corpo e mente). Consciente dessa estrada, devido a alguns grandes mestres que tive em minha formação técnica, sempre acreditei que o ator primeiramente é um atleta. Atleta no sentido físico e afetivo como defendia Artaud.

Na Malta Teatral desenvolvo já a cerca de 1 ano, o exercício Jardim do Rei (Barba), que consiste em criarmos imagens de um jardim do Rei mais poderoso que você possa imaginar. Essa imagem deve ser forte o bastante para gerar impulsos e motivar uma relação espacial com essas imagens.

Define-se as imagens e começa-se a repetir os movimentos até que essas imagens tornem-se uma dança pessoal, pois é a sua técnica de inculturação. Após isto, começa-se a trabalhar princípios pré-expressivos (Barba). Treinei até então nesse Jardim do Rei os princípios de equilíbrio, tensão e início ritmo.

Interessante notar que nessa dança pessoal todos os movimentos partem de mim, tudo o que sou até o momento pode ser envolvido, desde movimentos apreendidos em ballet ou em break, fragmentos de figuras do Decroux até movimentos cotidianos estilizados. Tudo se mistura e torna-se ímpar.

A cada movimento do Jardim do Rei que se desenrola como se fosse uma linha contínua no espaço, saindo do meu corpo e se perdendo no tempo, sinto a memória corporal e psíquica "gritando".
Uma memória levando à outra e aumentado a diversidade da minha dança em um transe entre a imagética virtual e física.

Às vezes, um movimento visto num espetáculo de dança, um sonho que tive ou um andar incomum observado na rua torna-se material para minha dança pessoal. As matrizes crescem, meu repertório aumenta e algo novo pode ser criado quando aquilo parecia estagnar.

Neste ponto volto a questão do mestre, o Adriano inseriu no treinamento uma técnica de aculturação, a Comédia Dell'Arte, que aprendeu com Antônio Fava.

Nós treinamos a Comédia Dell'Arte não com intenções psíquicas da persona, mas como partitura corporal, isto é,
treinamento pré-expressivo. Aprendemos a partitura de uma persona pela repetição e racionalização do movimento até que se torne orgânico, ou seja, mestre e aprendiz.

O mestre é quem corrige os movimentos de seu aprendiz com ação, assim como é no ballet, na mímica clássica ou no Kathakali - são técnicas passadas de geração em geração; e é o aprendiz quem precisa esvaziar-se de si mesmo para aprender essa técnica (reproduzir), dominá-la (decodificar) e somente então transformá-la (codificar).

Essa mistura de treinamento aculturado e incultura modifica o ator e o transforma em algo incandescente (dilatado em seu psicofísico). Esse ator relaciono a um corpo que sobre baixa temperatura (pouca energia) ocupa menos espaço no ambiente e sobre alta temperatura (muita energia) expandi-se. O ator atleta tem esse diferencial, treina acordar o "leão", irritá-lo, domá-lo e devolvê-lo ao sono quando quer.

por Rafa Bermudes

quinta-feira, 3 de junho de 2010

02 de junho de 2010


O ensaio começa de maneira inusitada, com um “Parabéns pra você” conduzido pela Nathalia, numa surpresa para o Adriano, aniversariante do dia.

Uma singela, porém carinhosa confraternização com direito a rocambole e guaraná.


Reunião de produção: busca para unir as “espertises” de cada um para consolidar a companhia.


Definição do próximo texto para discussão: Cap. 1 do livro A Arte de Não Interpretar Como Poesia Corpórea do Ator, do Renato Ferracini.

Quando dia 13 de junho, às 19h30.


Treinamento: Jardim do Rei

Commedia dell’Arte, conduzida pela Gabi. Enamorados.


Como a Karina e a Nathalia estava doentinhas, elas ficaram apenas observando.


Ensaio encerrado excepcionalmente às 21h30.


Por Karina Zichelle


terça-feira, 1 de junho de 2010

Ensaio: 28 de maio - Registro da descrição das cenas

Cena: Clotaldo entra na torre e surpreende Rosaura, Clarim e Segismundo.

· Rosaura, de longos cabelos louros, escondidos pelo elmo masculino, que também não deixa revelar seu rosto de traços finos, os olhos claros e a pele delicada suja pela longa viagem que empreitou.

· A espada que Clarim trás consigo e que entrega aos soldados é torta, tosca.

· A espada que Rosaura entrega a Clotaldo é única, forjada em metal nobre, talhada cuidadosamente com pedrarias no copos. É uma espada imponente.

· Clotaldo conduz os prisioneiros para o castelo, acima deles, um céu de baunilha, cujos últimos raios solares da cor púrpura mancham de sangue aquele horizonte.

· A torre que sepulcra Segismundo é alta e muito entrecortada, seu interior é composto de vários compartimentos distribuídos de maneira labiríntica, com muitas escadas que se confundem em vários níveis. Muitas correntes de metal envelhecido compõem esse cenário difuso.

Cena: Segismundo desperta no Castelo

· Segismundo acorda e se vê deitado numa cama de tamanho descomunal, de uma maciez que o entorpece ainda mais. As mantas que encobrem a cama são de pura seda, tecida cuidadosamente com detalhes em fios de ouro.

· A janela do quarto possui um vitral colorido que recorta a luz que adentra no quarto, produzindo imagens disformes, deixando um a atmosfera translúcida.

· A porta central do quarto, assim como a cama, é de proporções gigantescas. Dourada, com arabescos enfeitando seus entalhes, possui uma maçaneta feita de esmeralda e outras pedras preciosas, que chamou a atenção imediata de Segismundo, como uma mariposa é atraída pela luz.

· Clotaldo entra trajado com roupas finas. Um traje branco com um cinturão verde que possui a insígnia real de Basílio.

por Karina Zichelle


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dia 26 de maio de 2010


Iniciamos, o encontro de hoje, com os nossos rituais de concentração ( alguns minutos em silêncio e "despertai-me senhor e dai-me conhecimento"), a seguir começamos o nosso treinamento, envolvendo Comédia Dell'arte, onde a Gabi, orientou variações da categoria do "Pantalone", em seguida fizemos/praticamos o "Jardim do Rei".

Na segunda parte do encontro, repassamos a rubrica inicial do texto associada a um coro. E por fim, fizemos uma leitura em voz alta da introdução do texto - A Vida é Sonho, intermediada por explanações sobre o período Histórico em que o mesmo foi escrito - final do Renascentismo e meados do Barroco.

por Teka

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Baixas de guerra

Neste ínterim, algumas mudanças...

éramos nove e agora somos seis...

Au revoir Aline, Bruna e Flávio.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

30 de abril de 2010

Treinamento de posição de Commedia dell´arte com movimentação;

Jardim do rei;

Esboço da coreografia do coro da cena de entrada da peça:

Primeira jornada
De um lado um áspero monte, do outro uma torre
cuja parte térrea serve de prisão à Segismundo. A porta
que dá frente ao espectador está entreaberta. A ação principia
ao anoitecer. Rosaura, vestida de homem, aparece no alto do
monte pedregoso, e desce. Clarim a acompanha.

Amostras de cenas baseadas nas primeiras páginas do texto em trios.
Os trios foram: Rafa, Laura e Teka//Aline, Flavio e Gabi.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Diário de Bordo II

23 de abril de 2010

Treinamento: Escala de Decroux (inclinação, rotação e translação).

Commedia Dell'Arte: Pantallone.

Jardim do Rei.

Improvisação da peça, feita por todos, numa cena rápida.

Aline, Flávio, Karina, Luiz, Rafa e Teka. (A Bruna estava contundida e ficou como platéia).

· Primeiro passo: qual o roteiro de A Vida é Sonho? Qual perspectiva vamos assumir? A de Segismundo? Que tipo de linguagem? Não precisamos distribuir os personagens da peça entre nós.

· Discussão: Idéia! Usar de metáforas para criar a cena. A metáfora da gaiola que aprisiona o pássaro.

Idéia! Todos em roda, ciranda da canção infantil "Pombinha Branca".

Ok. Chega de conversa, vamos para a ação!

"Pombinha Branca, que está fazendo?

Lavando roupa pro casamento.

Vou me lavar, vou me trocar,

vou na janela pra namorar.

Passou um homem, de terno branco,

chapéu de lado, meu namorado.

Mandei entrar.

Mandei sentar.

Cuspiu no chão,

Limpa aí, seu porcalhão!"

Feita a ciranda, deu certo. Pausa. E agora?

"Vamos repetir a ciranda e seguir direto, sem parar para racionalizar o que fazer". Todos concordam.

Novamente,

"Pombinha Branca, que está fazendo?

Lavando roupa pro casamento.

Vou me lavar, vou me trocar,

vou na janela pra namorar.

Passou um homem, de terno branco,

chapéu de lado, meu namorado.

Mandei entrar.

Mandei sentar.

Cuspiu no chão,

Limpa aí, seu porcalhão!"

E dessa vez o exercício acontece! Com várias imagens sendo criadas. Frases soltas pronunciadas aleatoriamente pelos atores. Várias pessoas assumindo o Segismundo. “Acorda!”; “Levanta, você é príncipe!”; “Estou sonhando?”; “Sua voz, me é familiar, mas não era um sonho?”...

· Impressões: Através das sensações que A Vida é Sonho despertou em nós, a cena narrou a fábula de Calderon, seguindo uma linearidade própria, mas respeitando os acontecimentos da peça.


Leitura dos primeiros parágrafos do novo artigo do Adriano.

JOGO do Chapéu.

Nesse jogo dois participantes improvisam uma cena de venda de um chapéu. Um será o balconista da loja e o outro o comprador do chapéu. Eles criam uma partitura de cena (com falas e gestos) que deverão ser repetidos de igual maneira em todas as vezes pelos demais participantes dispostos em duplas.

Adriano e Karina criam a partitura a ser seguida.

Adriano: Bom dia

Karina: (com as mãos estendidas sobre o balcão) Bom dia (perna direita levanta)

Adriano: Eu queria comprar aquele chapéu (aponta o chapéu).

Karina: Aquele chapéu? (olha para trás apontando o chapéu).

Adriano: Aquele chapéu.

Karina: Pois não. (pega o chapéu e coloca em cima do balcão).

Adriano: Quanto custa?

Karina: Cinquenta reais (inclinando levemente a cabeça para a esquerda).

Adriano: (pega o dinheiro e entrega para a vendedora, depois pega o chapéu) Obrigado.

Karina: Não tem por onde. (guardando o dinheiro no bolso esquerdo da calça).

Todas as duplas (Luiz e Rafa, Teka e Aline, e Flávio e Karina) repetem essa partitura. Aos poucos novos desafios são acrescentados à ela.

Primeiro: Após o termino de cada fala, colocar um xingamento. (o cara de melão que a Karina soltou pro Adriano foi bizarro).

Segundo: Após o xingamento o outro participante, antes de começar a falar, solta um grito.

Terceiro: Fazer as ações e ao invés desse texto, falar letras de músicas.

Quarto: Fazer as ações e o texto em blablação.

Quinto: Parados, dando o texto o mais neutro possível, sem mexer nada.

Sexto: Só as ações.

Sétimo: De trás para frente.

Esse jogo rendeu muitas risadas, e descobri uma coisa interessante, porque ficamos sérios ao xingarmos alguém?

16 de abril de 2010

Aquecimento proposto pela Laura (que fez todo mundo ofegar cansados,eita Laura!).

Commedia Dell'Arte: Zanni.

JOGO Passo, Pego, Protesto

Esse jogo consiste na contação da história da peça pelos integrantes do grupo, dispostos em círculo. Quem porta a bolinha (no nosso caso, o ovinho de plástico da Kinder Ovo) tem o direito à fala, e somente ele. Caso esqueça algum detalhe da história, ou conte algo que "não era bem assim", qualquer participante pode falar "PROTESTO", e então, o direito de continuar a história passa a ser dele. Se o participante que estiver contanto a fábula não conseguir continuar, pode falar "PASSO" e necessariamente qualquer outro jogador deve responder "PEGO", para assumir a continuidade da contação. Caso ninguém responda, o jogo fica parado até que uma boa alma se arrisque.