Sueño

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Blog do processo de montagem Sueño a partir da obra A Vida é Sonho, de Calderón de La Barca, pesquisada pela Malta Teatral Camaleão Boca de Dragão

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Liberdade e aprisionamento

Tomando por base o solilóquio de Segismundo logo no ínicio da Primeira Jornada, nos foi pedido que escrevessemos um texto sobre Liberdade que seria usado numa cena que representasse um estranhamento recente. Segue o texto desenvolvio pela Karina:

Liberdade

Quando menina, acreditava que ao final de toda palavra “liberdade” havia um ponto final. Liberdade existe e ponto. Liberdade para brincar, para comer um doce, para sonhar. A liberdade que me abraçava era sublime e possível, vivemos num mundo livre.
Quando adolescente, instigada pelo espírito rebelde próprio esses anos, decidi que ao final de toda palavra “liberdade” viria um ponto de exclamação! Porque liberdade é uma palavra carregada de luta, de sangue! E protesto! Liberdade política, liberdade de expressão! E lutar por aquilo que acreditamos! Viva!
Com os anos que se passaram, não muitos, diga-se a verdade, as inquietudes da vida e as angústias questionadoras abalaram todas as minhas crenças e certezas. E achei prudente mudar a pontuação e colocar ao final de toda palavra “liberdade” um ponto de interrogação. Afinal, o que é ser livre? É escolher pelos seus próprios meios? Valores? É não ter a moral estuprada por essa sociedade decadente e selvagem? É ser racional? Sempre escolher?
Por mais que ainda acredite que não haja uma resposta que defina liberdade, tenho certeza de que novamente me equivoquei com a pontuação. Ao final de toda palavra “liberdade” não vem um ponto final, nem uma exclamação, tampouco uma interrogação. “Liberdade” para ser livre deve ser acompanhada por reticências... Porque impossível e ser definida, ela é sentida, querida, um norte a se seguir... um destino ainda por vir... o fim que todo homem anseia desde seu surgimento... porque ser livre é não ter fronteiras... é transcender à eternidade... e compreender-se pelas entrelinhas...


Por Karina Zichelle

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